quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!!

Desejo que este seja um Natal que reflita amor e que este amor possa transformar as pessoas!!!



"Antes de Jesus, quase nenhum escritor pagão utilizou a palavra “humilde” como elogio. Mas os acontecimentos do Natal apontam inevitavelmente para o que parece um paradoxo: um Deus humilde.



O Deus que veio à terra não veio num redemoinho arrasador, nem num fogo devorador. O Criador de todas as coisas encolheu-se além da imaginação, tanto, tanto, tanto, que se tornou um óvulo, um simples ovo fertilizado, quase invisível, um óvulo que se dividiria e se redividiria até que um feto fosse formado, expandindo-se célula por célula dentro de uma irrequieta jovem. “A imensidão enclausurada em teu amado ventre”, maravilhou-se o poeta John Donne. Ele “a si mesmo se esvaziou [...] humilhou-se a si mesmo”, disse o apóstolo Paulo de forma mais prosaica.


Lembro-me de certo Natal em que estava sentado num belo auditório de Londres, ouvindo o Messias de Handel, com um coro completo cantando acerca do dia em que “a glória do Senhor for revelada”. Eu passara a manhã em museus vendo remanescentes da glória da Inglaterra — as jóias da coroa, um sólido cetro de ouro de um governante, a carruagem dourada do prefeito de Londres — e me ocorreu que exatamente aquelas imagens de riqueza e de poder deviam ter enchido a mente dos que viveram na época de Isaías e ouviram aquela promessa pela primeira vez. Quando os judeus leram as palavras de Isaías, sem dúvida pensaram no passado com aguda nostalgia, nos dias gloriosos de Salomão, quando “fez o rei que em Jerusalém houvesse prata como pedras”.


O Messias que se apresentou, entretanto, usava um diferente tipo de glória, a glória da humildade. “‘Deus é grande’, a exclamação dos muçulmanos, é uma verdade que não precisava ser sobrenatural para ensinar os homens”, escreve Neville Figgis. “Que Deus é pequeno, essa é a verdade que Jesus ensinou ao homem”.


O Deus que trovejava, que podia movimentar exércitos e impérios como peões num tabuleiro de xadrez, esse Deus apareceu na Palestina como um nenê que não podia falar, nem comer alimento sólido, nem controlar a bexiga, que dependia de uma jovem para receber abrigo, alimento e amor.


Em Londres, olhando por cima do camarote real do auditório em que estava sentada a rainha e sua família, tive vislumbres da maneira mais típica como os governantes andam pomposamente pelo mundo: com guarda-costas, uma fanfarra, um floreado de roupas coloridas e reluzentes jóias. A rainha Elizabeth II há pouco visitou os Estados Unidos, e os repórteres deleitaram-se em explicar as logísticas em questão: seus mil e oitocentos quilos de bagagem, incluindo dois trajes para cada ocasião, um traje para luto no caso de alguém morrer, quarenta quartilhos de plasma e assentos de pelica branca para vasos sanitários. Ela trouxe consigo sua cabeleireira, dois camareiros e uma infinidade de atendentes. Uma rápida visita da realeza a um país estrangeiro pode facilmente custar vinte milhões de dólares.


Em humilde contraste, a visita de Deus à terra aconteceu num abrigo para animais, sem assessores presentes e sem lugar para deitar o rei recém-nascido além de um cocho. De fato, o acontecimento que dividiu a história, e até mesmo nossos calendários, em duas partes, talvez tenha tido mais testemunhas animais que humanas. Uma mula poderia ter pisado nele. “Tão silenciosamente o maravilhoso dom foi dado”.


Por apenas um instante o céu ficou iluminado com os anjos, mas quem viu o espetáculo? Serviçais analfabetos que vigiavam rebanhos alheios, “joões-ninguém” que não deixaram seus nomes. Os pastores tinham uma reputação tão ruim que os judeus decentes faziam deles um só pacote junto com os “ímpios”, restringindo-os aos pátios externos do templo. Nada mais adequado do que Deus escolher a eles para ajudar a celebrar o nascimento daquele que seria conhecido como amigo dos pecadores.

No poema de Auden os sábios proclamam: “Aqui e agora a nossa viagem interminável acaba”. Os pastores dizem: “Aqui e agora a nossa viagem interminável se inicia”. A busca da sabedoria do mundo havia terminado; a verdadeira vida começava.



Que a vinda de Jesus não mude apenas a história, mas mude efectiva e radicalmente a nossa vida. Essa mudança possa dar-se no tipo de relacionamento que temos com Ele, mas também nas relações humanas." Philip Yancey

Beijinhos!
Kamila

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